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Traducción: Urânia Flores

A juventude da América Latina tornou-se o grande objeto de desejo de todas as opções políticas que disputam o poder. A idade média do subcontinente é inferior a 25 anos. Milhões de pessoas estão sendo, continuamente, incorporadas nos cadernos eleitorais de seus respectivos países. Na América Latina, ao contrário da Europa, os jovens decidem as eleições.

Porém, a juventude não é apenas relevante em termos quantitativos. A sua importância qualitativa erradicou-a como a emissora do senso comum desta época. A América Latina que eles pensam, que eles percebem e que os jovens anseiam acaba se transformando na ideia hegemônica de América Latina.

O Centro Latino-Americano de Geopolítica Estratégica analisou em diferentes artigos [1] as características distintivas desta nova juventude, especialmente, nos países que têm governos progressistas neste novo século e, portanto, têm experimentado um enorme avanço. Este informe condensa de forma sucinta e rápida, as principais características destas pessoas que mais que o futuro, já são o presente latino americano.

  • Superam os seus pais em todos os indicadores econômicos e sociais: educação, rendimento disponível, saúde, acesso a novas tecnologias, disponibilidade de lazer e cultura …
  • Direitos normatizados (saúde, educação, habitação, alimentos) que para seus antecessores eram privilégios.
  • Autopercepção como classe média.  Escassa identificação como classe popular e muito menos como pobres.
  • Altíssimo nível aspiracional com base em sua formação educacional. A educação é concebida como um meio para levar a cabo o seu projeto de vida.
  • Imaginário urbano e moderno. Forte visão internacional. Eles já não vivem em sociedades autárquicas, fechadas em si mesmas. Eles se consideram parte do mundo contemporâneo. Muitos deles já visitaram outros países, algo que era vedado para geração anterior.
  • Eles usam esta visão internacional para estabelecer a comparação sobre os aspectos ineficientes de seus países.
  • Padronização de costumes e consumo em massa de lazer e recreação.
  • É a geração digital. Combinam rede social com televisão digital. Incorporam o acesso às novas tecnologias como um direito básico semelhante à educação ou a saúde. Eles usam a mídia mais para o entretenimento e para as relações sociais do que para a informação.
  • Não desafiam os novos sistemas políticos latinos americanos que deram origem ao século XXI, mas exigem que funcionem e trabalhem de forma eficiente para atender suas demandas. Eles são mais republicanos do que revolucionários.
  • Eles exigem certeza e segurança nas suas relações com a administração pública, tradicionalmente atravessada pelo clientelismo, pela corrupção e pelo nepotismo.
  • Os marcos fundadores do processo da emancipação começam a ser névoas de um passado histórico reificado.
  • Tão pouco compartilham a linguagem épica e hiper-militante, frequentemente usada tanto pela esquerda quanto pela direita. Geralmente, eles mostram um crescente desalento com a luta partidária, o que resulta no desinteresse pela política.
  • A construção de um novo marco de convivência foi baseada na participação da maioria popular, até então fora da política. Os jovens, beneficiários desse novo marco, retornam para o mito da democracia representativa em detrimento do protagonismo político.
  • Consagrando as formalidades das democracias liberais de origem burguesa, desde as eleições como totem democrático projetado para a exacerbação da liberdade de imprensa sobre o direito à informação e a obrigação de veracidade.

[1] Para ampliar as análises pode-se consultar “ Juventud y derecha en América Latina”, por Ava Gómez y Alejandro Fierro (https://www.celag.org/una-generacion-x-latinoamericana/ )